“Eu falo, falo, mas quem me ouve retém somente as palavras que deseja. Quem comanda a narrativa não é a voz: são os ouvidos”. (CALVINO 1990:123)

Blog Palavras Que Disseram Por Mim

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Canção da torre mais alta

Mocidade presa
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.
Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.

Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro
Augusto retiro.

Tamanha paciência
Não me hei de esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.

Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas.

Arthur Rimbaud

Foto: Nessa parede se lê: "Interdit d'afficher", quer dizer, "é proibido colar cartaz". A foto registra, portanto, uma transgressão. E tem mais: na parte de baixo, num pedaço rasgado de outro cartaz, pode ser lido: "autogestão" e, ao lado, está rabiscado aquele "A" que simboliza o anarquismo. É a síntese da contestação que Rimbaud representa como ninguém. - Visita a Roberto Freire - Revista Brasileiros (Clique na imagem para vê-la ampliada)

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